
Quando quem está fora da norma socialmente perfeita não se encaixa no molde pré-fabricado, quem resiste vivo? Perante a falta de cuidados de saúde à disposição do cidadão comum, a crise na habitação, o genocídio, o aborto clandestino, a discriminação pela orientação sexual ou a falta de autoestima, a morte é uma escolha ou uma necessidade? A morte é uma inevitabilidade ou uma libertação?
Este conjunto de contos não traz respostas, não procura resolver os problemas de ninguém, não procura solução. Traz mais perguntas, mais perspectivas e angústias para alimentar a fogueira da inquietação.

Todos nós temos saudades de alguém. Dos amigos da praia, quando estamos no Inverno, dos colegas da escola, quando estamos de férias, da mãe ou do pai, quando eles chegam mais tarde a casa, dos avós, quando só estamos com eles ao fim-de-semana, do cão do vizinho, quando só o encontramos no jardim. O Miguel tem saudades da avó. Desde que a avó morreu, não pode estar com ela todos os dias, como estava. Uns dias antes de falecer, a avó contou-lhe o segredo para estar sempre perto dela: se olhasse para o sol, poderia vê-la quando quisesse. Só que havia um problema. À noite, não havia sol, e Miguel ficava tão triste. Assim, não conseguia ver a avó, estar perto dela. Como poderia fazer para resolver este problema? A avó sempre lhe ensinou a lutar pelos seus sonhos e a não desistir de procurar uma solução para o que o deixava triste. Como irá Miguel conseguir resolver este assunto? Vem descobrir, neste livro cheio de ternura e saudade. Para leres sozinho ou junto daqueles de quem mais gostas.

Raquel é uma mulher viúva, careca, com as pernas amputadas, que deambula numa cadeira de rodas pela sua casa no Alentejo durante a noite do 43.° aniversário, depois de ter expulsado a cuidadora.A Xavier une-a a arte, o amor à música e ao piano, e o gosto pelo Alentejo. Separa-a as visões políticas, religiosas e das convenções sociais. O suicídio de um actor famoso marca a diferença entre o ponto de vista de ambos sobre o assunto. Ele acha uma cobardia, ela fica indignada com a posição dele.
Raquel descobre que tem osteossarcoma, mas esconde-o. Terá de amputar as pernas para o cancro não metastizar. Recusa e decide matar-se. Pede ajuda a Xavier, que recusa.
Uma parceria Traça & Caravana Grupo Editorial

Neste livro, reúnem-se as seis peças de teatro escritas do Outono de 2017 a Junho de 2018 durante a 3.º edição do Laboratório de Escrita para o Teatro.
Aos seis autores foi proposto que tornassem como tema O quotidiano do homem comum e outras coisas sem importância, visando lidar com o dia-a-dia, o insignificante e o ordinário, afastando-nos dos dias fatais das histórias trágicas, e depositando-nos, definitivamente, nos dias fractais de um infradramático que testemunha e narra a epopeia da vida humana.
Os textos aqui publicados dão respostas sensíveis, honestas e radiantes ao mundo que nos vai rodeando.
Coordenação de Rui Pina Coelho.